MENINOS E MENINAS SOFREM DIARIAMENTE COM A VIOLÊNCIA

A exploração de crianças em todo o Brasil é uma dura realidade. Infelizmente, os mecanismos existentes em nosso país ainda não são capazes, por si só, de impedir que nossos meninos e meninas sofram diariamente violências das mais extremas.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os direitos à infância e à educação são negados para quase três milhões de crianças e adolescentes no país. O mapeamento da situação do trabalho infantil, realizado pelos técnicos do IBGE, mostra que o número de trabalhadores precoces corresponde a 5% da população, e que esses trabalhadores estão na faixa etária de 5 a 17 anos.

Em pleno 2017, a taxa de crianças economicamente ativas no Brasil vem crescendo. Desde 2013, o país vem registrando aumento dos casos de trabalho infantil entre crianças de 5 a 9 anos. Em 2015, ano da última pesquisa do IBGE, quase 80 mil crianças nessa faixa etária estavam trabalhando, o que representa um aumento de 13% entre 2014 e 2015. Cerca de 60% delas vivem na área rural das regiões Norte e Nordeste. De acordo com os dados oficiais, pouco mais de 30% das crianças que trabalham se dedicam a atividades agrícolas, 65% são negras e 70% são meninos.

A cada quatro crianças que trabalham na América Latina, uma é brasileira. O Brasil ocupa o topo da lista entre os países latino-americanos e, além disso, nosso país está longe de atingir a meta de erradicá-los, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU). O caminho para diminuir o trabalho infantil é investir na educação. Lugar de criança é na escola, tendo as oportunidades que lhe são negadas diariamente quando estão sendo exploradas no trabalho.

Mas para deixar ainda mais grave esta situação de exploração de crianças e adolescentes, o Brasil ocupa o topo da lista de outro ranking nefasto: o da exploração sexual. De acordo com o balanço de denúncias colhidas pelo Disque 100, canal para relatar casos de violação de direitos humanos, quatro crianças e adolescentes são exploradas sexualmente por hora. O Brasil somou pelo menos 175 mil casos de exploração sexual de crianças e adolescentes entre 2012 e 2016.

Ao todo, 67,7% das crianças e jovens que sofrem abuso e exploração sexuais são meninas, contra 16,52% dos meninos. Os casos em que o sexo da criança não foi informado totalizaram 15,79%. A maioria dos casos (40%) ocorrem com crianças entre 0 a 11 anos, seguidas por 12 a 14 anos (30,3%) e de 15 a 17 (20,09%), A maioria dos agressores são homens (62,5%) e adultos de 18 a 40 anos (42%).

Um levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), com base nos dados de 2011 do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan), mostrou que 70% das vítimas de estupro no Brasil são crianças e adolescentes. Esses dados nos mostram um cenário terrível e que precisamos combater.

Ver uma criança explorada sexualmente é algo que faz nosso coração sangrar. Desde que assumi o mandato de vereador em Belo horizonte tenho lutado para proteger nossas crianças. Um dos projetos que aprovamos é o que institui na capital mineira, o Maio Laranja. O Maio Laranja é um mês voltado a debater e promover ações para atacar a exploração sexual em crianças e adolescentes. Outra luta que travamos é contra a erotização precoce de nossas crianças, um dos primeiros passos para a exploração sexual. Ao expor as crianças a conteúdos pornográficos, abrimos a porta para a futura exploração e violência sexual. Nossas crianças são frágeis e precisam ser mais cuidadas.

É nosso papel, como pais, proteger nossas crianças e ficarmos atentos aos mínimos detalhes, pois quando nossos pequeninos estão sofrendo violência sexual muitas vezes os “gritos de socorro” dados por elas são sutis e silenciosos.

2018-11-13T16:18:25-03:00 5, novembro, 2018|